domingo, julho 25, 2004

Amava-a e pela eternidade irei dilacerá-la




Amava-a e pela eternidade
irei dilacerá-la,
o punhal que embrenhei
nas aurículas
cerceando o riacho
das veias
será agora amante
de Rosalia ,
penetrará as costas
buscando o coração ,
a redoma da morte
não é refúgio
suficiente ,
no inferno não há
meias medidas.
Ficámos juntos
em território danado.
Apesar da matilha de cães ,
o dilaceramento ,
a bruta repetição do crime
pelos séculos dos séculos ,
eu e a minha amada
estamos livres de Deus
até ao fim do mundo.


Fátima Maldonado

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...